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quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Opinião Contemporânea: "Não Fomos Nós Dois" de Tiago Gonçalves


Começando com um prefácio em prosa-poética, bastante elogioso e dedicado ao autor por Roberto Leão, Tiago Gonçalves apresenta-nos uma obra diferente da primeira, De Uma Só Sorte.

Aqui encontramos catorze capítulos, intercalados com diferentes POV, com diferentes pontos de vistas, opiniões e experiências. No início há uma troca de vivências e filosofias, onde as personagens se vão conhecendo e aproximando... ou assim pensamos nós. Foi com o final que o autor mais me surpreendeu, visto que nos dá pistas, ou até uma história, para um determinado final, mas nos dois últimos capítulos Tiago Gonçalves troca-nos as voltas.
Tal como em Uma Só Sorte, a narrativa tem um toque quase poético, que estranhamos no inicio, mas que acaba por se entranhar. Confesso que as primeiras frases me pareceram um pouco forçadas, com frases demasiado curtas e pontuação muito rápida, mas posteriormente tudo se torna mais fluido, ou talvez somos nós que nos envolvemos cada vez mais na história de Júlio e Mafalda.

O desespero de Júlio empurra-o para Mafalda, uma jovem mas experiente terapeuta habituada a lidar com inquietos desenquadrados sociais. A relação entre eles flui com a natural química de um aparente jogo predestinado, mas as suas convicções são tão diferentes como as suas personalidades. A afinidade e complementaridade entre ambos é por demais evidente, mas será que os seus caminhos se juntarão ou, pelo contrário, eles nunca se aproximaram? Nestas páginas não só poderá encontrar a resposta, mas também toda a história entre ambos, que alternam entre si a narração de como tudo se passou.

Edição - Dezembro 2011
ISBN - 9789897010736

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Opinião Contemporânea: "De Uma Só Sorte" de Tiago Gonçalves


Apesar do tipo de escrita de Tiago Gonçalves não ser o meu preferido, confesso que me surpreendeu positivamente.
O livro é curto e a capa simplista, e é através de capítulos proporcionais e concordantes com estes adjectivos que vamos conhecendo a história linear da camponesa Manuela.
Achei a organização interna do livro bastante leve e agradável, que juntamente com a curta história me fez ler e folhear as páginas sem me dar conta disso mesmo. Os temas abordados são variados, mas a agricultura e o labor tiveram algum destaque, este facto talvez tenha sido o mais cativante por ser tão incomum.
Relativamente à escrita, tal como disse no inicio, não faz o meu género pois esta não inclui nem diálogos nem descrições dos cenários onde tudo se desenrola (excepto um caso pontual, quando Tiago Gonçalves descreve a casa de Manuela). Considerando estes dois aspectos, que na minha opinião são os que mais contribuem para a dinâmica e desenvolvimento de um conto, a obra em questão fica um pouco sub-aproveitada e sub-desenvolvida.
Ao longo das 64 páginas, o autor vai trocando a sequência temporal, principalmente na segunda parte, mas, apesar disso, nunca perdemos o rasto às personagens.
Achei o final um pouco inconclusivo (apesar da morte da personagem principal) pois as causas de morte do primogénito e de Manuela, o destino do marido desta, etc. são deixadas em aberto.
Resumindo, o livro De Uma Só Sorte centra-se principalmente em capítulos da vida de uma personagem central, desde a sua rigida infância ao seu casamento violento e à sua morte solitária, mas todos estes espaços temporais partilhados com o leitor são feitos em pequenos resumos e cheios de lacunas. De qualquer forma, a leitura é feita de forma fluída e entendida.

Presa num mundo sem profundidade, a visão de Manuela não alcançava para além do seu campo, isolada do seu pensamento e ambição, a sua vida poderia resumir-se a um eterno movimento circular, constantemente voltando ao ponto de partida, quando parecia estar prestes a escalar as paredes que restringiam a sua vida. Sem ambição que gerasse qualquer opção, a vida era simples e resumida, não fossem os acontecimentos do seu mundo serem bem maiores do que o espaço ao qual se restringia,. Espaço e mundo no qual ninguém queria entrar.
Esta obra abre, para sim, as portas deste mundo.

Edição - Novembro 2010
ISBN - ?


Encontra as Diferenças: "Paixão" e "My Boyfriend is a zombie"

As duas mórbidas, mas como ou sem flor? Fonte: blog livros, contos e sonhos